Com R$ 2 bi em dívidas, Celpa apresenta plano de recuperação

Por João José Oliveira

SÃO PAULO – A Centrais Elétricas do Pará (Celpa) apresentou hoje aos credores o plano de recuperação que propõe uma carência de seis anos para começar os desembolsos, uma injeção de capital de pelo menos R$ 850 milhões e parcelamento de tributos atrasados, Imposto de Renda e contribuições sociais já em 2012, além de um deságio de até 40% para as dívidas financeiras com bancos, investidores e instituições multilaterais.

Na proposta enviada hoje à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Celpa propõe aos credores que as dívidas, que beiram R$ 2 bilhões, comecem a ser pagas em janeiro de 2018 em um cronograma que segue até dezembro de 2027, totalizando 120 parcelas.

Para os bancos, investidores e outros credores financeiros, a Celpa pede um deságio de 35% a 40%, conforme o tipo de garantia da operação de empréstimo.

Entre os bancos privados, os maiores credores da Celpa são Bradesco, com R$ 104,4 milhões, Itau BBA (R$ 94,7 milhões) e Indusval, com quase R$ 60 milhões para receber.

Os valores desse grupo de dívida serão corrigidos a partir de agosto deste ano pela TJLP, ou 6% ao ano.

A Celpa quer ainda o parcelamento de tributos, Imposto de Renda e contribuição social já em 2012.

Aportes

Na proposta de recuperação, a empresa propõe a emissão de debêntures conversíveis em ações com vencimento em 2027 e taxa de rendimento de 15% ao ano. A injeção de recursos por meio da aquisição dos papéis de renda fixa poderá ser feita pelos atuais acionistas ou por investidores e grupos que não fazem parte da companhia, incluindo credores.

Além da capitalização por meio da emissão de debêntures, a Celpa pede a abertura de uma linha de crédito no valor mínimo de R$ 200 milhões. A empresa se compromete a manter um caixa de reserva mínimo de R$ 150 milhões a partir de 2015.

Pagamentos

Para os trabalhadores, a empresa propõe quitar as dívidas em 6 parcelas de R$ 18,7 milhões – nesse caso, sem carência.

Para os credores com garantias em reais, a empresa vai gastar R$ 1,3 milhão mensais. Para os credores com garantias em dólar, mais US$ 688 mil mensais. Os credores operacionais terão direito a R$ 6,9 milhões mensais; os setoriais – incluindo Aneel – receberão R$ 2,3 milhões mensais.

No caso dos credores financeiros – caso de bancos -, as parcelas somadas variam de R$ 4,2 milhões a R$ 8,3 milhões, conforme a data de pagamento.

Os chamados entes públicos vão receber R$ 9,9 milhões mensais somadas as parcelas de todos credores, enquanto os integrantes do próprio grupo Rede Energia mais R$ 1,01 milhão.

Fonte: Valor Econômico

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