Casas Bahia faz pedido de recuperação judicial para dívidas de R$ 17,3 bi…

Casas Bahia recorre à recuperação judicial para renegociar dívidas e preservar operações após enfrentar restrições de crédito e dificuldades de liquidez.

O que aconteceu

Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. O processo é feito em conjunto com algumas de suas principais subsidiárias, como Cnova Comércio Eletrônico, Bartira, Casas Bahia Tecnologia e empresas de logística do grupo.

Decisão foi aprovada pelo conselho de administração da companhia e pelo acionista controlador. A petição foi feita na 2° Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no final da noite de domingo (16).

Medida judicial impacta pagamentos de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. Segundo a Casas Bahia, o processo inclui dívidas com bancos, fundos de investimentos, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas. Do total, R$ 16,4 bilhões são compromissos junto a credores quirografários, ou seja, sem garantias. Há ainda R$ 754 milhões de dívidas trabalhistas, R$ 154 milhões junto a microempresas (ME) ou empresas de pequeno porte (EPP).

Segundo a varejista, o pedido foi motivado pela deterioração de suas condições econômico-financeiras. A companhia diz que a situação foi agravada pelo ambiente marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiro.

Como a medida foi tomada em caráter de urgência, o conselho também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para que os acionistas ratifiquem a decisão. A companhia disse que manterá o mercado informado sobre os próximos desdobramentos do processo.

Empresa planeja fechar 298 lojas. Isso representa cerca de 29% das 1.034 lojas que o grupo apresentava no mês fim de junho, segundo dados do balanço. No mesmo balanço de resultados, a Casas Bahia apresenta um plano de ação que inclui o fechamento dos pontos de venda menos rentáveis. Segundo a direção, o plano é “priorizar canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento.

Prejuízo bilionário

A Casas Bahia reportou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões. A perda foi impactada por efeitos contábeis não recorrentes de R$ 9,1 bilhões que, segundo a companhia, não têm efeito no caixa para o trimestre. O prejuízo ajustado, sem os efeitos não recorrentes, ficou em R$ 978 milhões.

A perda ficou bem acima da registrada um ano antes, quando a varejista teve prejuízo de R$ 555 milhões. Segundo comunicado da empresa ao mercado, a baixa está ligada a medidas para redimensionamento de suas operações, a fim de enfrentar o momento desafiador para o setor.

O prejuízo líquido foi fortemente impactado por uma baixa de imposto diferido de R$ 5,7 bilhões. O valor se refere a créditos tributários contabilizados pela companhia que tiveram que ser ajustados. Outras medidas que impactaram o resultado foram a reorganização de pessoal e fechamento de lojas, revisões contratuais e a atualização de suas projeções de resultados futuros.

A receita líquida da varejista cresceu 1.

Mas uma piora no cenário econômico acelerou a necessidade de novas medidas, incluindo o fechamento de lojas. Segundo a varejista, a combinação entre crédito mais restritivo, uma captação internacional não concretizada e um ambiente de consumo mais fraco acelerou a necessidade de fechamento de lojas.

A empresa tentou captar dinheiro com investidores internacionais, mas não conseguiu, o que piorou o quadro. Segundo a companhia, foram realizadas reuniões com investidores do Brasil, Estados Unidos e Europa. Mas o principal investidor interessado desistiu da operação e ela não se concretizou.

A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada.

Bolsa

Ações caem perto de 30% na Bolsa. Negociadas abaixo de R$ 1,00, as ações da Casas Bahia cediam a R$ 0,48 às 11h20, menor patamar do papel desde o fim de 2023. Em dezembro daquele ano, os papéis eram cotados a R$ 0,50, quando passaram por um grupamento de 25 para um, passando a ser cotados a R$ 11,27.

Fonte: UOL

Compartilhar