Navarro confirma pedido de recuperação judicial

Navarro confirma pedido de recuperação judicial

Distribuidora afirma que operações, atendimento e entregas seguem normalmente e atribui desequilíbrio ao custo do crédito de curto prazo

A Navarro Distribuidora de Medicamentos ajuizou, no último dia 3 de outubro, pedido de recuperação judicial perante a Primeira Vara Regional Empresarial de São Paulo. A informação havia sido obtida com exclusividade pelo Panorama Farmacêutico e foi confirmada pela companhia em comunicado divulgado em 5 de outubro.

Segundo a empresa, a medida tem como objetivo preservar a operação, os empregos e a capacidade de pagamento aos credores. O grupo afirma que seu negócio permanece operacionalmente sólido, mas que a estrutura de capital se tornou excessivamente dependente de crédito de curto prazo.

“Com a elevação prolongada das taxas de juros, o custo dessa alavancagem passou a consumir a geração de caixa de um negócio que permanece operacionalmente sólido”, afirma a companhia. Para a Navarro, portanto, o desequilíbrio está concentrado no passivo financeiro, e não na operação.

Operações seguem normalmente

Diferentemente das informações que circulavam nos bastidores, dando conta do fechamento dos CDs no Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, a distribuidora afirma que não houve paralisação das atividades. De acordo com o comunicado, unidades, atendimento e entregas continuam funcionando normalmente.

A companhia também informa que os colaboradores continuam recebendo salários e que seus direitos estão sendo tratados com prioridade. Em relação aos fornecedores e parceiros, a Navarro afirma que as obrigações assumidas a partir do pedido de recuperação judicial serão pagas regularmente, de acordo com as condições contratadas.

Já os créditos anteriores ao pedido e sujeitos à recuperação judicial serão pagos conforme as condições previstas no Plano de Recuperação Judicial, que, segundo a empresa, deverá ser apresentado em até 60 dias e posteriormente submetido à deliberação dos credores.

O grupo acrescenta que credores titulares de garantias que não estejam sujeitos ao processo serão procurados individualmente para negociações destinadas a viabilizar a continuidade da operação.

Crédito caro amplia pressão sobre distribuidores

O caso da Navarro ocorre em um momento de atenção para o segmento, diante dos desafios relacionados a custo do crédito, capital de giro, margens e fluxo de caixa.

Para empresas de distribuição farmacêutica, que movimentam grandes volumes de mercadorias e operam com margens mais estreitas, o acesso ao capital de giro é especialmente relevante para sustentar a atividade.

Na visão de Eduardo Terra, cofundador do IRTT – Instituto Retail Think Tank, a estrutura financeira da distribuição torna o segmento particularmente sensível ao custo do dinheiro. “O modelo de negócios do atacado demanda capital de giro, e capital de giro pressupõe dívida. Quando essa dívida fica muito cara, a operação pode perder viabilidade”, aponta.

Distribuição soma 20 empresas em crise

O caso da Navarro se insere em um cenário que já reúne 20 empresas da distribuição farmacêutica em eventos de insolvência, entre recuperações judiciais e falências. Os dados fazem parte do Monitor RGF-BIZDOC e consideram registros acumulados até 30 de junho de 2026.

Desse total, 11 empresas estavam em recuperação judicial e nove em falência. Considerando também o varejo farmacêutico, eram 54 as companhias envolvidas em processos de recuperação judicial ou falência no período. O varejo concentrava 34 casos, sendo 18 recuperações judiciais e 16 falências. A distribuição, portanto, respondia por pouco mais de um terço dessas ocorrências.

De acordo com Claudio Damasceno, sócio da RGF-BIZDOC e coordenador do Monitor RGF-BIZDOC, os dois elos apresentam mecanismos distintos de deterioração financeira. “No varejo, a pressão sobre o capital de giro se acumula ao longo da operação, envolvendo estoques com prazo de validade, crédito ao consumidor, aluguel e folha. Na distribuição, o giro é muito alto e a margem é mínima, o que torna qualquer descasamento financeiro mais crítico”, explica.

Histórico de recuperações se amplia

O mercado de distribuição farmacêutica também acumula outros episódios recentes de recuperação judicial. Em 2024, a Medibras teve o pedido deferido com passivo superior a R$ 100 milhões. A Servimed também ingressou nessas estatísticas, em processo que teve início no mesmo ano.

Na ocasião, entre os fatores associados à crise das distribuidoras estavam aumento da inadimplência, custos operacionais elevados, margens reduzidas e retração nas vendas.

Fonte: Panoramafarmaceutico

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